3 Alternativas ao Atendimento Clínico na Escola
- psicologia escolar na prática
- 15 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
É muito comum que professores, gestores ou até mesmo famílias recorram ao psicólogo escolar solicitando um “atendimento” individualizado para um estudante em sofrimento. A intenção geralmente é boa: ajudar. Mas é justamente aí que precisamos fazer uma pausa crítica e refletir. Será que o que está sendo pedido é realmente um atendimento clínico? E mais importante: o que podemos oferecer que seja ético, potente e coerente com nossa atuação na escola?
A seguir, apresentamos três alternativas ao atendimento clínico na escola, pensadas a partir de uma perspectiva crítica, que considera a complexidade dos contextos escolares e a função institucional do psicólogo.
1. Escuta qualificada e encaminhamento com devolutiva institucional
Sim, o psicólogo escolar pode (e deve!) escutar. Mas essa escuta tem um objetivo diferente da clínica: ela busca compreender a situação no contexto em que ela ocorre, identificar demandas institucionais e pensar estratégias coletivas de cuidado. Após essa escuta, o profissional pode encaminhar para serviços da rede, quando necessário, e construir devolutivas que não culpabilizam o sujeito, mas que contribuem para a compreensão do coletivo.
2. Rodas de conversa e espaços de expressão coletiva
Muitas vezes, o sofrimento individual expressa dores coletivas. Ao invés de isolar um estudante em “atendimento”, que tal criar espaços para que o grupo fale, reflita e elabore conflitos juntos? As rodas de conversa são potentes instrumentos para isso. Elas promovem empatia, fortalecem vínculos e ajudam a desconstruir a ideia de que o problema é “daquele aluno”.
3. Intervenções com a equipe pedagógica
Quando a escola pede que um aluno seja “atendido”, frequentemente há um pedido implícito: “nos ajude a lidar com isso”. Por isso, é fundamental que o psicólogo atue junto da equipe pedagógica, oferecendo momentos de formação, análise de práticas e construção de estratégias conjuntas. Isso fortalece a escola como espaço de cuidado compartilhado, e não como lugar de terceirização do sofrimento.
Para concluir…
A atuação do psicólogo escolar não precisa (e não deve) replicar o modelo clínico dentro da escola. Ao contrário, ela pode ser inovadora, coletiva e comprometida com a transformação da cultura escolar. O cuidado na escola passa por muitas vias – e a escuta crítica é uma das mais potentes.




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