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Quando o psicólogo escolar também se cansa: o autocuidado do profissional

8 de out. de 2025
2 min de leitura

Cuidar dos outros é bonito. Mas também é pesado.

E o psicólogo escolar sabe bem disso.

Entre escutas, reuniões, conflitos, demandas urgentes e expectativas (muitas vezes irreais), o psicólogo vai se tornando o ponto de equilíbrio da escola — aquele que acolhe, orienta, organiza, ampara. E, aos poucos, se percebe exausto, tentando manter firme uma estrutura emocional que começa a dar sinais de desgaste.

Mas afinal, quem cuida de quem cuida?

O psicólogo escolar, assim como qualquer profissional da educação, não é imune ao cansaço emocional. Ele vivencia diariamente dores coletivas, histórias difíceis e tensões institucionais que o atravessam. E quando a empatia se torna constante, sem pausas e sem limites claros, o risco é o esgotamento. Não o cansaço físico de um dia cheio, mas aquele outro — o que silencia o entusiasmo, o que pesa na alma e faz o trabalho perder o brilho.

Autocuidado, então, não é luxo. É condição de permanência.

Cuidar de si é reconhecer o próprio limite, é entender que a escuta do outro só é possível quando também há espaço interno para escutar a si mesmo. É permitir-se o descanso sem culpa, a pausa sem justificativa, a vulnerabilidade sem vergonha.

Autocuidado é desligar o olhar clínico por um momento e se ver como pessoa — com medos, frustrações, alegrias e conquistas. É admitir que nem sempre é possível dar conta de tudo. E tudo bem.

No ambiente escolar, onde a pressa e as urgências parecem regra, o psicólogo precisa se lembrar de que não é salvador, mas mediador. Seu papel é construir pontes, não carregar todos os pesos sozinho.

Fortalecer o autocuidado é também um ato político: é resistir à lógica do produtivismo, é dizer que saúde mental importa, inclusive (e especialmente) para quem trabalha com ela.

Então, que tal começar por pequenas coisas? Tomar um café sem pensar em planilhas. Caminhar depois do expediente. Compartilhar angústias com colegas. Fazer terapia. Reconectar-se com o propósito que te trouxe até aqui.

Porque, no fim das contas, o psicólogo escolar também é humano — e precisa se lembrar disso todos os dias. E cuidar de si é o primeiro passo para continuar cuidando dos outros com presença, sensibilidade e verdade.


 
 
 

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