Distorção idade-série e motivação: como apoiar alunos em defasagem escolar
- psicologia escolar na prática
- 22 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Em muitas escolas, é comum encontrar turmas compostas por alunos que, por diferentes motivos, estão em distorção idade-série — ou seja, têm idade superior à esperada para o ano em que estão matriculados. Essa situação, que vai muito além de uma questão pedagógica, traz desafios emocionais e sociais que impactam diretamente na motivação e autoestima dos estudantes.
Recentemente, realizei uma ação sobre motivação com uma turma que vivia essa realidade. Durante o encontro, ficou evidente o quanto esses alunos carregam uma mistura de sentimentos: vergonha, frustração, desânimo e, ao mesmo tempo, uma vontade silenciosa de recomeçar. Muitos se veem como “atrasados” ou “incapazes”, e esse olhar sobre si mesmos acaba interferindo na relação com a aprendizagem e com a escola.
Mais do que conteúdo: o impacto emocional da defasagem
A defasagem escolar muitas vezes é acompanhada por histórias de repetências, mudanças de escola, ausências prolongadas ou contextos familiares desafiadores. Cada um desses fatores pode abalar o vínculo com a escola e gerar a sensação de que “não vale a pena tentar de novo”. Nesses casos, antes de trabalhar o “querer aprender”, é preciso resgatar o “acreditar que é possível aprender”.
O papel do psicólogo escolar
O psicólogo escolar tem um papel essencial em ajudar a reconstruir o sentido da trajetória escolar para esses estudantes. Isso passa por:
Criar espaços de diálogo onde os alunos possam expressar suas frustrações e sonhos.
Trabalhar o autoconhecimento e o reconhecimento das conquistas, mesmo que pequenas.
Ajudá-los a redefinir o que significa sucesso, mostrando que o tempo de cada um é único.
Fortalecer a relação com os professores, promovendo práticas pedagógicas mais acolhedoras e menos comparativas.
Durante a ação que realizei, uma fala me marcou profundamente: um aluno disse “às vezes parece que todo mundo já passou e eu fiquei.” Essa frase sintetiza o quanto o sentimento de inadequação pode se tornar um obstáculo invisível. A partir disso, o trabalho precisa ser de reconstrução simbólica — transformar a ideia de “ficar para trás” em “ter mais uma chance de seguir”.
Como apoiar a motivação em alunos em defasagem
Algumas estratégias podem fazer diferença nesse processo:
Valorizar o progresso individual, e não apenas o resultado final.
Oferecer experiências de sucesso, por meio de atividades nas quais possam se sentir competentes.
Trabalhar o sentido da escola, conectando o aprendizado com seus projetos de vida.
Promover vínculos positivos com professores e colegas, combatendo o estigma da “turma dos atrasados”.
Reconhecer e validar o esforço, mostrando que recomeçar também é uma forma de coragem.
Um novo olhar sobre o tempo escolar
Cada trajetória escolar é única. A distorção idade-série não define a capacidade, apenas conta parte de uma história. Quando a escola acolhe sem rótulos e cria espaços de pertencimento, ela oferece a esses alunos algo precioso: a possibilidade de reconstruir sua relação com o aprender e com eles mesmos.
Mais do que nivelar conteúdos, o desafio é reacender a esperança. Porque, no fim das contas, ninguém está atrasado quando decide continuar.





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